segunda-feira, 7 de março de 2011

Sobre o filtro solar

Sim, eu sei, é clichê postar esse texto. Mas cada vez que eu o leio entendo mais dele. Quem sabe um dia serei bem velhinha e conseguirei lê-lo e entendê-lo por inteiro.

Tirem suas próprias conclusões (:


Se eu pudesse dar só um conselho em relação ao futuro eu diria : "use filtro solar."
Os benefícios a longo prazo do uso do filtro solar foram cientificamente provados.
Os demais conselhos que dou baseiam se unicamente em minha própria experiência...

Eis aqui um conselho:
Desfrute do poder e da beleza da sua juventude.
Ah, esqueça. Você só vai compreender o poder e a beleza da sua juventude quando já tiverem desaparecido.
Mas acredite em mim. Dentro de vinte anos, você olhará suas fotos e compreenderá, de um jeito que não pode compreender agora, quantas oportunidades se abriram para você. Era realmente fabuloso.
Você não é tão gordo quanto imagina.
Não se preocupe com o futuro.
Ou se preocupe, se quiser, sabendo que a preocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete pra tentar resolver uma equação álgebra.

E quase certo que os problemas que realmente têm importância em sua vida são aqueles que nunca passaram por sua mente, tipo aqueles que tomam conta de você às 4 da tarde em alguma terça-feira ociosa.

Todos os dias faça alguma coisa que seja assustadora.

Cante...
Não trate os sentimentos alheios de forma irresponsável.
Não tolere aqueles que agem de forma irresponsável em relação a você.

Relaxe...
Não perca tempo com a inveja.
Algumas vezes você ganha, algumas vezes perde.
A corrida é longa e, no final tem que contar só com você.
Lembre se dos elogios que recebe.
Esqueça os insultos...
Guarde suas cartas de amor.
Jogue fora seu velhos extratos bancários.

Estique-se...
Caminhe...
Não tenha sentimento de culpa se não sabe muito bem o que quer da vida.
As pessoas mais interessantes que eu conheço não tinham, aos 22 anos, nenhuma idéia do que fariam na vida.
Algumas pessoas interessantes de 40 anos que conheço ainda não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja gentil com seus joelhos. Você sentira falta deles quando não funcionarem mais.
Talvez você se case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta.
Talvez dance uma valsinha quando fizer 75 anos de casamento.
O que quer que faça.
Não se orgulhe demais nem se critique demais....
Todas as suas escolhas tem 50% de chance de dar certo, como as escolhas de todos os demais...
Curta seu corpo da maneira que puder.
Não tenha medo dele ou do que as pessoas pensam dele. Ele é seu maior instrumento.

Dance...
Mesmo que o único lugar que você tenha pra dançar seja sua sala de estar.

Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se achar feio


Dedique-se a conhecer seus pais.
É impossível prever quando eles terão ido embora de vez...
Seja agradável com seus irmãos...
Eles são seu melhor vínculo com seu passado e aqueles que, no futuro, provavelmente nunca te deixarão na mão...
Entenda que amigos vem e vão....
Mas que há um punhado deles, preciosos, que você tem que guardar com carinho...
Trabalhe duro para transpor os obstáculos geográficos da vida, porque quanto mais você envelhece tanto mais você precisa das pessoas que conheceu na juventude.
More uma vez em Nova York mas mude-se antes de endurecer...
More no Norte da Califórnia, mas mude-se antes de amolecer.

Viaje...
Aceite verdades eternas.
Os preços sempre vão subir.
Os políticos vão saracutear.
Você também vai envelhecer, e quando envelhecer vai fantasiar que quando era jovem os preços eram acessíveis.
Os políticos eram decentes e as crianças respeitavam os mais velhos;

Respeite as pessoas mais velhas.
Não espere apoio de ninguém...
Talvez você tenha uma boa aposentadoria.
Talvez você tenha um cônjuge rico.
Mas nunca se sabe quando um ou outro podem desaparecer.
Não mexa muito em seu cabelo. Senão, quando fizer 40 anos terá aparência de 85.
Tenha cuidado com as pessoas que te dão conselhos, mas seja pacientes com elas.
Conselho é uma forma de nostalgia...
Dar conselho é uma forma de resgatar o passado na lata do lixo, limpá-lo, esconder as partes feias e reciclá-lo por mais do que vale.

Mas no filtro solar... Acredite.

Mary Schmich

Sobre o domínio

Estava tudo nublado. Ela, que sempre gostou desses dias frios, chuvosos, cinzas, agora pedia sol e céu azul. Então percebeu o que tinha acontecido. Algo a dominava.

O problema não era ser dominada, e sim não saber quem a dominava. Analisou todas as pessoas que viviam ao seu redor. Pessoas que ela preferia nem conhecer. Mas nada parecia suspeito.

A não ser que... não. Não podia ser. Ele nem percebia sua presença, não havia como ela ser dominada por ele. “Mas que idéia tola”, pensou ela.

Preferiu ocultar essa angústia de si mesma. E continuou amando-o escondida.

E sendo dominada.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sobre meu aniversário


Sempre fico depressiva nos meus aniversários. Não sei se é por medo de que ninguém lembre ou se é porque cada ano eu percebo que nada faço e nada pretendo fazer para alcançar meus objetivos, dentre eles minha independência.


Nunca sei se prefiro viver até os cento e poucos anos, ou se prefiro morrer cedo, porém tendo feito tudo o que quis. (um dia eu posto minha visão sobre a morte) Até porque se eu viver uma vidalouca, cheia de aventuras de todos os gêneros, quem sabe eu me debilite mais cedo ou talvez até morra em uma dessas aventuras que planejo uma a uma desde que comecei a ter sonhos.


Porém, de uns tempos pra cá, meus sonhos têm prazos cada vez mais curtos, eu quero tudo rápido, eu sinto uma necessidade cada vez maior de aproveitar minha vida. E esse sentimento cresce perto dessa data, que para alguns não significa nada, mas que para mim tem um peso muito grande. Meu balanço do ano não é feito no ano-novo, é feito no meu aniversário.


Por isso eu quero me lembrar desse aniversário como sendo um marco na minha vida. Quero me dar um presente. Quero queminha vida mude. Quero ter mais motivação pra viver. E eu não quero chegar no próximos 03 de março, lembrando que eu não fiz nada interessante nos meus 17 anos.


Eu quero viver intensamente.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sobre uma história baseada em fatos reais.

Ela estava lá, como havia de ser. Ele havia planejado tudo, até planos secundários, caso algo saísse errado. Tudo preparado. Ela estava mais linda do que nunca. Parece que adivinhou que aquele seria um dia especial, marcante.



Ele se aproximou sem ela perceber. Podia sentir seu perfume de longe. Estava hipnotizado. Repetia todas as frases, tudo o que havia planejado naquela semana. Desde que a viu não conseguia pensar em outra coisa.



Aquele desejo o dominava por inteiro.Talvez fosse mais fácil ele dormir, sonhar com isso, aqueles sonhos que parecem ser tão reais, que podem aliviar aquela obsessão.

Mas chegara a hora. Ela estava lá. Mais um passo, mais uma frase, e tudo que ele sonhou, desde fins de semana ao seu lado, até os filhos com aqueles olhos verdes iguais aos dela, tudo estaria mais perto de se tornar realidade.

Estava tudo perfeito. O céu azul, o clima agradável, ninguém entre eles na tão importante fila do ônibus.

Só lhe faltou a coragem.

E ele nunca mais a viu.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Sobre minhas exigências

Esse é um daqueles dias em que nada está bom. Quando me dei conta disso, pensei se eu não sou assim sempre. Se eu nunca me contento com nada, ou se é só um dia, depois passa.

Nessas horas não consigo lembrar de nenhum acontecimento, nenhum dia. Não lembro nem do domingo anterior. Nada. Parece que fujo de mim mesma.

Mas eu odeio isso, nunca gostei de fugir dos problemas, das questões que me invadem de repente e eu não sei como respondê-las.. E por que eu fujo? Por que eu não assumo a mim mesma que sou exigente demais, e se eu quiser todo o ouro do mundo, nada me satisfará se eu não tiver todo ele em minhas mãos.

Mimada? Acho que é a falta disso. Acho que é a vontade de ter atenção. Acho que eu preciso que alguém se dedique inteiramente a mim. Acho que preciso encontrar um ser sem família, sem compromissos, sem pessoas confiáveis que lhe de conselhos, para que ninguém abra seus olhos fazendo com que ele veja quem eu realmente sou.

E eu não quero que alguém finja ser assim. Não. Assuma que nenhuma pessoa do seu círculo social (que de nenhum modo se intercede com o meu) falou bem de mim pra você. Assuma pra si mesmo e depois grite pra mim o quanto fútil eu sou, como eu não sei o que quero, como eu posso querer tanto você nesse instante, e depois te dispensar, e te xingar com toda a raiva existente em mim.

Diga para mim o que sente, que eu tenho mais defeitos do que qualidades. Perceba o quanto mentiu pra si mesmo, e pra mim, quando disse que eu era perfeita. Perceba que você não vai me aguentar nem mais 10 minutos. Nem mais uma crise. Nem mais uma lágrima.

É só isso que peço. Perceba que eu não sirvo pra você.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Sobre Caio Fernando de Abreu

Eu tenho fuçado muitos blog alheios e vi uma característica em comum, pelo menos em alguns.

Referências a Caio Fernando de Abreu (carinhosamente abreviado como C.F.A daqui em diante) são muitas. Frases, textos, ou simplesmente citar esse nome dá um brilho a mais nas histórias, textos e músicas que as pessoas postam.

Por isso, vou deixar aqui alguns trechos, e começar a encaixá-los no contexto das minhas histórias.

PS: leiam com carinho


"Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha."

"Ria de mim, mas estou aqui parada, bêbada, pateta e ridícula, só porque no meio desse lixo todo procuro o verdadeiro amor."

"Penso em você apesar de não sentir sua falta e muito menos sua presença. Penso em você porque sinto um vazio, que eu não sei do quê."

"Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio."

"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito muito de você."

"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço?"

"Ando meio fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis."

"Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.Eu prefiro viver a ilusão do quase, quando estou "quase" certa que desistindo naquele momento vou levar comigo uma coisa bonita. Quando eu "quase" tenho certeza que insistir naquilo vai me fazer sofrer, que insistir em algo ou alguém pode não terminar da melhor maneira, que pode não ser do jeito que eu queria que fosse, eu jogo tudo pro alto, sem arrependimentos futuros! Eu prefiro viver com a incerteza de poder ter dado certo, que com a certeza de ter acabado em dor. Talvez loucura, medo, eu diria covardia, loucura quem sabe!”


“Um dia de monja, um dia de puta, um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá, um dia de merda enquanto seguro aquele maldito emprego de oito horas diárias para poder pagar essa poltrona de couro autêntico onde neste exato momento vossa reverendíssima assenta sua preciosa bunda e essa exótica mesinha de centro em junco indiano que apóia vossos fatigados pés descalços ao fim de mais uma semana de batalhas inúteis, fantasias escapistas, maus orgasmos e crediários atrasados. "

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Sobre meu momento

Aquele medo a devorava há dias. Meses, talvez. Ela nunca achou que teria que encarar esse momento. Ela nunca achou que diria tais palavras.

Porém, ela também nunca achou que fosse preciso. Mas tudo mudara de um jeito que o que era necessário antes, agora já não era. E vice-versa.

Artormentou seus amigos, eles eram verdadeiros anjos, sempre a ouvindo e a compreendendo de um jeito ímpar, inigualável.

Pensou durante a semana toda. Talvez tenha sido uma das piores de sua vida até então. Por fora estava tudo bem, mas por dentro estava dilacerada. Noites mal-dormidas, aquela espera que nunca acabava.

Descascou o esmalte. Roeu as unhas. Ficou usando roupas velhas. Não usou maquiagem. Parecia que estava de luto. Talvez estivesse. Era um amor que havia morrido.

Pior do que essa morte, era a esperança que vinha artomentá-la, fazendo todos os seus textos prontos para falar diante dele irem por água abaixo.