sábado, 2 de julho de 2011

Sobre as distrações


Era um momento difícil. Sem causa aparente, mas isso a angustiava demais. E se a angustiava, tornava-se um motivo, e isso virava um ciclo vicioso.

Não havia previsões de melhoras, aquela semana deveria piorar tudo. Mas como piorar? Já estava tudo uma porcaria mesmo. Nem ligou.

Às vezes preferia ignorar, passar reto. Mas se tornara tão difícil desde aquela última vez. Sentia-se um poço de rispidez, começou a descontar em quem não tinha nada a ver com aquilo.

Mas aquilo o quê meu Deus??

Era tão difícil para ela.

Mas então, continuando. Aquela semana tinha tudo para piorar toda aquela situação, mas ela se preocupou tanto com outras coisas que aquela angústia se misturou a outra e era como se uma tivesse se sobreposto a outra.

Para melhorar um pouco a semana (isso não é uma ironia) o frio chegou tão lindo quanto ela gostaria. Sorriu sozinha ao ver a geada naquela manhã. Baixou novas músicas, precisava se renovar, relaxar, acordar para a vida.

E aos poucos, sem perceber, foi saindo de fininho daquela zona de angústia que havia pairado sobre ela.

Sobre o que segue

Eu deveria ter apostado com alguém. Apesar de ter sido uma semana estressante, foi extremamente inspiradora.

Seguem alguns posts. Como já disse, podem estar confusos, mas acho que vai ser difícil organizar.

Espero comentários

domingo, 26 de junho de 2011

Sobre a falta de tempo/inspiração/textos decentes

Minha criatividade está precária, eu sei. Post decadentes. Mas com certeza essa semana (que eu sei que não será ociosa) verei inspirações em todos os lugares.

Por isso, me desculpem se o próximo post estiver confuso, sem nexo. Provavelmente será uma junção de tudo o que vi na semana.



Blog temporariamente fechado.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Sobre a nostalgia do momento

Passei por momentos nostálgicos durante o começo dessa semana. Não sei explicar o por quê, ou talvez até saiba e esteja escondendo de mim mesma.

Vendo e revendo meus textos antigos percebo o quanto eu mudei. Lendo cada um deles, lembro imediatamente daquele momento, daqueles sentimentos, daquelas poesias que significaram ( e continuam significando) muito pra mim.

Acho que estou em uma fase meio abstrata, obscura. Estou tentando entender o que está acontecendo, mas ainda não surgiu nenhuma luz no fim do túnel. Já recorri a todas as técnicas que sempre funcionaram comigo (músicas repetindo eternamente, caminhadas sem rumo, noites em claro, filmes de comédia- só não recorri às drogas), mas nada está adiantando.

Talvez essa seja a hora. Talvez seja o momento perfeito. Está tudo lá, pronto. E eu aqui, devagar, atrapalhada, distraída, vendo as oportunidades passarem.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Sobre a ausência

Sexta-feira. Eram mais ou menos 18h, aquela hora em que não está escuro o suficiente para acender a luz nem claro o bastante para ficar com a luz apagada. Ela gostava desse horário, mas aquele dia, especificamente, preferia que essa transição dia/noite fosse mais rápida, queria ver a lua logo.

Porém, um estouro a fez pular da cadeira, e acabou a luz. Morava sozinha e nas sextas os vizinhos sempre saíam, e tudo silenciou. Escancarou as janelas, pôs a cabeça pra fora, tentou ver o que ainda restara do pôr-do-sol.

O dia fora estranho, parecia que era invisível. Perdeu as contas de quantas pessoas esbarraram nela aquela tarde. Mas ela tinha a sensação de que o dia não acabaria assim, de que ela seria importante, pelo menos por 1 segundo.

Ficou lá, vendo o céu passar do azul para o laranja, do laranja para o vermelho, e, num piscar de olhos, do vermelho para o breu da noite.

Apesar de ser detalhista, nunca percebera essas mudanças tão vagarosamente. Se arrependeu de não ter filmado, fotografado, daria uma bela fotografia.

Observou o céu por um tempo, mas já estava com dores no pescoço, então resolveu cozinhar.

Acendeu uma vela. Tudo parecia ainda mais macabro com aquela luz trêmula fazendo sombras nas paredes. A adrenalina era ainda maior.

Terminou de cozinhar, jantar, e de repente uma lembrança lhe veio à cabeça. Era isso. Aquele dia. Aquele clima de outono. Nada poderia fazer mais sentido.

Faltava algo. Faltava aquela presença.

domingo, 15 de maio de 2011

Sobre qualquer coisa

E ela continuava fazendo tudo normalmente, como se nada estivesse acontecendo. As mensagens vinham de todo o lado, mas ela preferia não ver, preferia ignorar, preferia acreditar que algo a esperava.

Sim, algo a esperava. Mas não do jeito que ela queria.

Ela leu aquele texto, de uma pessoa que nem sabia quem era, e se sentiu no meio dele. Sentiu que ele fora escrito especialmente, na medida para ela. Mas estava tudo bem, como ela poderia se identificar??

E leu, releu, tantas vezes que já estava a ponto de recitar o texto inteiro. E percebeu que não estava tudo bem. E sua cabeça começou a rodar, e um turbilhão de pensamentos vieram à sua mente, fazendo com que ela gritasse, em frente ao espelho, para si mesma: "POR QUÊ???"

E tudo silenciou. Seus pensamentos desapareceram. Voltou à realidade. Continuou ignorando.

Sobre viajar


Eu sempre gostei de viajar, exceto para a praia, por razões que não serão descritas aqui. Pessoas dizem que é ruim, que não é a mesma cama, o mesmo travesseiro, os mesmos ares, as mesmas pessoas, o mesmo clima.Mas é por isso mesmo que se torna fantástico. Parece que você está vivendo uma outra vida.

Quando se é criança, viagens são legais, por fazerem parte de um sonho, por serem cenas de filmes antigos. O carro, com as janelas abertas. O pai dirigindo, a mãe ao lado, controlando a empolgação do motorista e a velocidade do carro. Os filhos no banco de trás.

A fiha na direita, ouvindo seu rock antigo no último volume (com fones, claro), a cabeça encostada na janela, o travaesseiro ineparável no colo, o cabelo bagunçado pelo vento.

O filho na esquerda, lendo um livro (como sempre), cochilando de vez em quando. Não leva travesseiros, não faz a menor diferença.

Chegam ao destino. Descarregam as malas, são recebidos pelos parentes. Tudo está normal, se não fosse o ambiente. Sua família está lá, isso é o que importa.

Mas tenho medo de viajar sozinha. Eu não seria apenas um anexo, eu estaria sozinha, enfrentando os medos, as estradas, os carros desgovernados. A música iria tocar e eu cantaria tão empolgada que esqueceria de dirigir. Logo, teria que ir no silêncio.

Chegando ao destino, tudo seria diferente. Tudo mesmo. Ninguém me receberia. Eu teria de tirar as malas do carro, abrir a casa, desejar uma boa estadia a mim mesma, fazer tudo sozinha. Por mim.

Mas apesar de todos esses medos, esses empecilhos, me parece ser a coisa mais certa a fazer.

Vou nascer de novo. Serão novos ares, novos travesseiros, novas pessoas, novas rotinas, novos idiomas, novas emissoras de TV, novas músicas, novo clima, tudo novo.

Será outra pessoa, no mesmo corpo.