Era 31 de dezembro. Ela nunca havia passado essa data acompanhada. A virada do ano era sempre melancólica, e ela ficava vendo os fogos de artifício de sua janela, tomando uma taça de chamapanhe. Seus pais sempre achavam uma besteira, diziam que era uma data comum. Eles odiavam aquele cheiro de pólvora que durava até a próxima manhã.
Então, naquele ano, ela estava acompanhada. A família dele poderia ser estranha, mas era o preço por ter um namorado tão fofo. Estavam esperando a hora chegar na beira do mar, sentados na areia. Havia apenas uma garrafa de champanhe sem álcool para comemorar.
Ela sempre se sentiu tão deprimida nesse dia que estar ali lhe fazia sentir estranha. Nem alegre nem triste, apenas estranha.
Ele a perguntou por que estava tão calada. Ela criou coragem para desabafar toda a história que estava por trás daquela data. Todas as lágrimas derramadas sobre a mesma taça de champanhe desde seus 13 anos. Todos os pensamentos e carências. Todas as frustrações que vinham quando ela lembrava de tanta coisa que devia ter feito e não fez. Toda aquela incompetência. Eram tantas coisas, mas tão simples. Uma semana bastaria, talvez menos.
Ela então se sentiu vazia. Aquele era seu segredo. Ela nunca revelou a ninguém que não gostava daquele dia, daquelas superstições com uvas e ondinhas. Ela nunca havia falado a ninguém que aquela era a data mais triste do ano para ela. O dia em que ela se sentia pequena, insignificante.
Ele então a abraçou forte e disse: a partir de agora, você não estará mais sozinha.
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1!
Veio o novo ano e eles agora sentiam o amor mais profundo até então.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
sábado, 13 de novembro de 2010
Sobre meus conflitos
Hoje comecei escrever sem saber um tema. Isso é estranho. Mas é que meu pensamentos ultimamente estão totalmente instáveis, e não sei se resolvo esse ou aquele problema.
Às vezes penso em jogar tudo pro alto, e começar uma vida nova, mas eu sei que não consigo. Como já disse, tem algo que me segura e diz: espere mais um pouco, tam um lugar melhor mais pra frente. Será?
Apesar de eu ser contra o otimismo, porque quando se acredita que algo vai acontecer, ela TEM que dar certo. Caso contrário, você fica frustrado. E se você não espera nada de nada, quando algo dá certo, você fica feliz, e se não der, você nem liga.
Enfim, apesar desse meu pessimismo, esses dias eu resolvi deixar aflorar o pouco otimismo que há em mim. Porém, comecei a esperar coisas impossíveis (não vou citá-las aqui para não ferir imagens). E passou um tempo e eu observei que nada do que eu esperava poderia acontecer. Era realmente utópico.
Fiquei frustrada e postei meu desabafo. Só pra constar, o ônibus de que falei nem eu sei o que representa. Ele pode ser tantas coisas...
Não sei se aprendei algo com isso. Algo me agonia. Eu não sei o que é.
Talvez eu saiba e não queira assumir.
(até que não ficou ruim)
Às vezes penso em jogar tudo pro alto, e começar uma vida nova, mas eu sei que não consigo. Como já disse, tem algo que me segura e diz: espere mais um pouco, tam um lugar melhor mais pra frente. Será?
Apesar de eu ser contra o otimismo, porque quando se acredita que algo vai acontecer, ela TEM que dar certo. Caso contrário, você fica frustrado. E se você não espera nada de nada, quando algo dá certo, você fica feliz, e se não der, você nem liga.
Enfim, apesar desse meu pessimismo, esses dias eu resolvi deixar aflorar o pouco otimismo que há em mim. Porém, comecei a esperar coisas impossíveis (não vou citá-las aqui para não ferir imagens). E passou um tempo e eu observei que nada do que eu esperava poderia acontecer. Era realmente utópico.
Fiquei frustrada e postei meu desabafo. Só pra constar, o ônibus de que falei nem eu sei o que representa. Ele pode ser tantas coisas...
Não sei se aprendei algo com isso. Algo me agonia. Eu não sei o que é.
Talvez eu saiba e não queira assumir.
(até que não ficou ruim)
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Sobre meu desabafo
Hoje to filosofando demais. Pra não falar merda pra pessoas erradas, resolvi escrever. Era pra ficar guardado, como tantos outros, mas eu não resisti.
Eu estava pensando sobre o quanto eu sou medrosa. Apesar de aquele post não ter retratado exatamente eu, ele é uma parte de mim. Eu sei que não é culpa de ninguém, mas eu não gosto de ser assim.
Às vezes me sinto diferente, chata, como uma daquelas crianças que vivem em bolhas e quando andam de ônibus pela primeira vez caem, porque não sabem se equilibrar. Geralmente elas não continuam andando de ônibus, é só para ver como é. Mas muitas tem que continuar caindo para conseguir se equilibrar e não serem alvo de risadas durante toda a viagem.
Eu sei que foi um exemplo tosco, mas foi como eu consegui expressar.
Enfim, o que mais me incomoda e que me fez escrever isso hoje é o fato de eu estar nesse ônibus há algum tempo já, e não saber me equilibrar. Já tentei sair dele muitas vezes, mas é como se algo me dissesse: não é hora, fique mais um pouco, tem um lugar melhor mais pra frente. Apesar de eu querer acreditar nisso, simplesmente não consigo. É como se minha vontade de sair fosse maior que a de ficar, mas mesmo assim insuficiente pra cumprir minha vontade.
Às vezes gostaria de nunca ter entrado nesse ônibus.
Eu estava pensando sobre o quanto eu sou medrosa. Apesar de aquele post não ter retratado exatamente eu, ele é uma parte de mim. Eu sei que não é culpa de ninguém, mas eu não gosto de ser assim.
Às vezes me sinto diferente, chata, como uma daquelas crianças que vivem em bolhas e quando andam de ônibus pela primeira vez caem, porque não sabem se equilibrar. Geralmente elas não continuam andando de ônibus, é só para ver como é. Mas muitas tem que continuar caindo para conseguir se equilibrar e não serem alvo de risadas durante toda a viagem.
Eu sei que foi um exemplo tosco, mas foi como eu consegui expressar.
Enfim, o que mais me incomoda e que me fez escrever isso hoje é o fato de eu estar nesse ônibus há algum tempo já, e não saber me equilibrar. Já tentei sair dele muitas vezes, mas é como se algo me dissesse: não é hora, fique mais um pouco, tem um lugar melhor mais pra frente. Apesar de eu querer acreditar nisso, simplesmente não consigo. É como se minha vontade de sair fosse maior que a de ficar, mas mesmo assim insuficiente pra cumprir minha vontade.
Às vezes gostaria de nunca ter entrado nesse ônibus.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Sobre a (in)dependência
Eu acho que um dos meus maiores sonhos é ser independente (financeiramente, afetivamente, e todos os entes).
Mas acho que eu sou muito carente pra isso. Acho que conseguiria morar sozinha, mas provavelmente ficaria muito depressiva a noite, ou mesmo no café da manhã.
Eu fico dependente muito rápido, então pra conseguir me livrar do hábito de assistir ao JN todas as noites com meus pais, de esperar o almoço ficar pronto, de ficar ouvindo de longe meu pai contando o dia pra minha mãe, e todas as pequenas coisas que às vezes eu tento me livrar seria muito difícil, porque me sinto muito vazia sem elas.
(Então, se você é uma pessoa que convive direto comigo, se cuide, porque provavelmente nas férias ou quando o curso acabar eu vou ficar enchendo seu saco, até me acostumar com sua ausência.)
Enfim, apesar de tudo isso, quando eu era criança, sempre me imaginava uma mulher independente, que tinha uma boa vida financeira e não dependia de ninguém para ser completamente feliz. MAS, depois de saber como é dividir as alegrias com alguém, acho que essa Alessandra que eu imaginava talvez possa ser um pouco (só um pouquinho) dependente de alguém pra ser feliz.
PS: dedicado a alguém que divide a vida comigo há 17 meses.
Mas acho que eu sou muito carente pra isso. Acho que conseguiria morar sozinha, mas provavelmente ficaria muito depressiva a noite, ou mesmo no café da manhã.
Eu fico dependente muito rápido, então pra conseguir me livrar do hábito de assistir ao JN todas as noites com meus pais, de esperar o almoço ficar pronto, de ficar ouvindo de longe meu pai contando o dia pra minha mãe, e todas as pequenas coisas que às vezes eu tento me livrar seria muito difícil, porque me sinto muito vazia sem elas.
(Então, se você é uma pessoa que convive direto comigo, se cuide, porque provavelmente nas férias ou quando o curso acabar eu vou ficar enchendo seu saco, até me acostumar com sua ausência.)
Enfim, apesar de tudo isso, quando eu era criança, sempre me imaginava uma mulher independente, que tinha uma boa vida financeira e não dependia de ninguém para ser completamente feliz. MAS, depois de saber como é dividir as alegrias com alguém, acho que essa Alessandra que eu imaginava talvez possa ser um pouco (só um pouquinho) dependente de alguém pra ser feliz.
PS: dedicado a alguém que divide a vida comigo há 17 meses.
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Sobre a (des)organização
Eu sou muito desorganizada, por mais que não pareça. Meu quarto é arrumado, devido às maléficas consequencias que já ocorreram porque meu quarto estava bagunçado.
Porém, se você abrir a porta do meu guarda-roupa, vai se perder em meio a tantas roupas jogadas e livros e caixas e muitas coisas mais.
Esses dias fui dar um jeito nele, e descobri que tenho um sério problema em jogar embalagens no lixo. De verdade. Eu guardei até embalagens de ovos de Páscoa. Sem contar as sacolinhas bonitinhas (onde vieram os presentes), os laços, os ingressos (sim, ingressos de cinema), etc..
Descobri que minha bagunça é organizada. Apesar de aparentemente tudo estar jogado, eu sei onde tudo está.
Eu já tentei ser sistemática. Não consegui. Fiquei realmente perdida. Todos aqueles papéis juntos, presos por um clips, e todas as caixas empilhadas, e todos os fios enrolados sem nenhum nó, e todas aquelas revistas organizadas por tamanho. Tudo aquilo me irritou.
Não nasci pra ser organizada.
"Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto-de-vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação"
Dani Carlos - Coisas que eu sei
Porém, se você abrir a porta do meu guarda-roupa, vai se perder em meio a tantas roupas jogadas e livros e caixas e muitas coisas mais.
Esses dias fui dar um jeito nele, e descobri que tenho um sério problema em jogar embalagens no lixo. De verdade. Eu guardei até embalagens de ovos de Páscoa. Sem contar as sacolinhas bonitinhas (onde vieram os presentes), os laços, os ingressos (sim, ingressos de cinema), etc..
Descobri que minha bagunça é organizada. Apesar de aparentemente tudo estar jogado, eu sei onde tudo está.
Eu já tentei ser sistemática. Não consegui. Fiquei realmente perdida. Todos aqueles papéis juntos, presos por um clips, e todas as caixas empilhadas, e todos os fios enrolados sem nenhum nó, e todas aquelas revistas organizadas por tamanho. Tudo aquilo me irritou.
Não nasci pra ser organizada.
"Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado
Ninguém sabe mexer na minha confusão
É o meu ponto-de-vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado pra visitação"
Dani Carlos - Coisas que eu sei
sábado, 23 de outubro de 2010
Sobre a noite
Tem tantas coisas pra se falar sobre a noite. Sobre as noites. Sobre aquelas noites. Sobre aquela lua. Sobre aquela caminhada no fim da tarde. Quando eu vi o por-do-sol e depois olhei para o outro lado e lá estavam elas: as estrelas.
Eu não sei desde quando eu me apaixonei pela noite. Acho que sempre fui apaixonada por ela. Principalmente por causa daqueles momentos em que você termina de jantar, vê o final da novela (ou de qualquer outra coisa), coloca seu pijama, escova os dentes, lava o rosto e finalmente deita sob aquelas cobertas (que no início da noite estão frias).
Então você lembra do seu dia. Se nada te preocupa, involuntariamente esboça-se um sorriso em seu rosto. Se está pensativo, talvez uma lágrima percorra seu rosto e o sono demore a chegar.
Mas independentemente disso você consegue dormir. E às vezes você sonha. Alguns sonhos bons, mas alguns sonhos ruins também. Alguns sonhos inimagináveis, outros comuns, até repetidos.
Você acorda sorrindo. Você acorda chorando. Você acorda com a sensação de que não foi um sonho, que algo realmente aconteceu. Você tenta voltar para o mesmo sonho. Tentativa frustrante.
E geralmente na manhã seguinte, você não lembra de nada disso.
Eu não sei desde quando eu me apaixonei pela noite. Acho que sempre fui apaixonada por ela. Principalmente por causa daqueles momentos em que você termina de jantar, vê o final da novela (ou de qualquer outra coisa), coloca seu pijama, escova os dentes, lava o rosto e finalmente deita sob aquelas cobertas (que no início da noite estão frias).
Então você lembra do seu dia. Se nada te preocupa, involuntariamente esboça-se um sorriso em seu rosto. Se está pensativo, talvez uma lágrima percorra seu rosto e o sono demore a chegar.
Mas independentemente disso você consegue dormir. E às vezes você sonha. Alguns sonhos bons, mas alguns sonhos ruins também. Alguns sonhos inimagináveis, outros comuns, até repetidos.
Você acorda sorrindo. Você acorda chorando. Você acorda com a sensação de que não foi um sonho, que algo realmente aconteceu. Você tenta voltar para o mesmo sonho. Tentativa frustrante.
E geralmente na manhã seguinte, você não lembra de nada disso.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
Sobre os medos

Ela foi uma criança muito medrosa.
Não subia em árvores, poderia cair, poderia ter bichos, enfim. Preferia ficar embaixo da mesma, esquecendo-se que uma maçã (?) poderia cair em sua cabeça e isso doeria mais do que se caísse da árvore, talvez.
Não dormia sozinha. Sua cama era ao lado da de seus pais. Se sentia incomodada, mas aquele quarto era sombrio, seus bichos de pelúcia ficavam assustadores durante a noite.
E ela cresceu. E quando falava sobre esses medos para as amigas ela riam. E ela começou a inventar histórias. E elas riam de novo, mas de um jeito diferente.
Tinha medo de falar em público.
Tinha medo de beijar aquele garoto que ela sabia que gostava dela.
Tinha medo de que chamassem sua atenção, então ficava em silêncio.
Tinha medo que todos olhassem para ela ao mesmo tempo. E que se ela fosse corajosa o bastante pra expor sua opinião, eles debochassem dela.
Então ela se isolou. E pensou que tudo era culpa dos seus medos, talvez tão bobos e idiotas que não valessem a pena.
Tentou “colocar as asinhas de fora”.
Apresentou um trabalho na frente da classe, beijou o garoto, falou o que queria falar, sem medo de que a repreendessem. Fez questão de falar: “prestem atenção um pouquinho” e expôs suas opiniões. Eles riram. Ela falou: ferre-se.
No fim daquela semana ela se sentiu muito mais leve do que antes.
"Há alguma coisa aqui que me dá medo.
Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui..."
Clarice Lispector
Não subia em árvores, poderia cair, poderia ter bichos, enfim. Preferia ficar embaixo da mesma, esquecendo-se que uma maçã (?) poderia cair em sua cabeça e isso doeria mais do que se caísse da árvore, talvez.
Não dormia sozinha. Sua cama era ao lado da de seus pais. Se sentia incomodada, mas aquele quarto era sombrio, seus bichos de pelúcia ficavam assustadores durante a noite.
E ela cresceu. E quando falava sobre esses medos para as amigas ela riam. E ela começou a inventar histórias. E elas riam de novo, mas de um jeito diferente.
Tinha medo de falar em público.
Tinha medo de beijar aquele garoto que ela sabia que gostava dela.
Tinha medo de que chamassem sua atenção, então ficava em silêncio.
Tinha medo que todos olhassem para ela ao mesmo tempo. E que se ela fosse corajosa o bastante pra expor sua opinião, eles debochassem dela.
Então ela se isolou. E pensou que tudo era culpa dos seus medos, talvez tão bobos e idiotas que não valessem a pena.
Tentou “colocar as asinhas de fora”.
Apresentou um trabalho na frente da classe, beijou o garoto, falou o que queria falar, sem medo de que a repreendessem. Fez questão de falar: “prestem atenção um pouquinho” e expôs suas opiniões. Eles riram. Ela falou: ferre-se.
No fim daquela semana ela se sentiu muito mais leve do que antes.
"Há alguma coisa aqui que me dá medo.
Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui..."
Clarice Lispector
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