Já faz um tempo que um padre contou essa história numa missa, e até hoje lembro dela quando as infinitas definições sobre Deus invadem meus pensamentos e me deixam completamente confusa.
A história é mais ou menos assim:
“Certa vez haviam três homens jogando golfe. Um deles perguntou aos outros dois:
- O que você faria se o mundo acabasse hoje?
O primeiro respondeu:
- Iria correndo procurar um padre para me confessar.
O segundo respondeu:
- Iria procurar minha família, pois faz anos que não os vejo.
Ambos perguntaram ao terceiro, que tinha feito a pergunta, o que ele faria?
E ele os disse:
- Continuaria jogando golfe.”
domingo, 12 de setembro de 2010
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Sobre a mania da perfeição
Uma vez eu vi na capa de um livro (que sempre tento lembrar o nome,mas todas as tentativas são em vão), uma frase que dizia: "Em um mundo de extrema perfeição o normal é feio".
Fiquei algum tempo com essa frase ecoando na minha cabeça, tentando descobrir o que ela realmente quer dizer. Consultei minha visão sobre o mundo. Era tão fraca, tão fútil. Me senti mal. Comecei a pensar nessa obcessão que todos têm. A busca pela perfeição. Não importa onde. Todos são maníacos por ela. Pessoas fazem loucuras, isso lhes custa até mesmo a vida.
Eu acho isso tão venenoso. Apesar de TODOS saberem que não existe a perfeição, ainda a buscam. Por quê??
Por que é tão difícil aceitar seu cabelo, seus olhos, seu nariz, sua boca, suas manias, suas estranhezas, suas preferências, seu mundo?
Dá pra mudar? Algumas coisas sim.
Pra quê? Ainda não sei.
Aceitar-se é difícil? Talvez seja uma das coisas mais difíceis de se fazer. Mas mudar não vai fazer com que você se aceite melhor. Você vai saber que não é assim. No fundo você lembra de quem realmente é.
E quando se deitar vai ficar pensando se o dia teria sido igual se você fosse quem realmente é. Se fizesse as coisas pensando somente em você, na sua felicidade, antes de pensar nos outros, na aceitação de pessoas que às vezes nem gostam de você.
O perfeito não existe. Não busque a perfeição. Quanto mais você a busca, mais se afasta dela.
Perfeitas são as pessoas que são felizes do jeito que são, que conquistam amigos e amores com seu jeito autêntico.
“Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente. Desde que seja seu mesmo.”
(Clarice Lispector sob o pseudônimo de Helen Palmer)
Fiquei algum tempo com essa frase ecoando na minha cabeça, tentando descobrir o que ela realmente quer dizer. Consultei minha visão sobre o mundo. Era tão fraca, tão fútil. Me senti mal. Comecei a pensar nessa obcessão que todos têm. A busca pela perfeição. Não importa onde. Todos são maníacos por ela. Pessoas fazem loucuras, isso lhes custa até mesmo a vida.
Eu acho isso tão venenoso. Apesar de TODOS saberem que não existe a perfeição, ainda a buscam. Por quê??
Por que é tão difícil aceitar seu cabelo, seus olhos, seu nariz, sua boca, suas manias, suas estranhezas, suas preferências, seu mundo?
Dá pra mudar? Algumas coisas sim.
Pra quê? Ainda não sei.
Aceitar-se é difícil? Talvez seja uma das coisas mais difíceis de se fazer. Mas mudar não vai fazer com que você se aceite melhor. Você vai saber que não é assim. No fundo você lembra de quem realmente é.
E quando se deitar vai ficar pensando se o dia teria sido igual se você fosse quem realmente é. Se fizesse as coisas pensando somente em você, na sua felicidade, antes de pensar nos outros, na aceitação de pessoas que às vezes nem gostam de você.
O perfeito não existe. Não busque a perfeição. Quanto mais você a busca, mais se afasta dela.
Perfeitas são as pessoas que são felizes do jeito que são, que conquistam amigos e amores com seu jeito autêntico.
“Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente. Desde que seja seu mesmo.”
(Clarice Lispector sob o pseudônimo de Helen Palmer)
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Sobre meus pensamentos
Pra quem me conhece, sabe que eu tenho medo de muitas coisas. Não necessariamente de algo ou alguém, mas geralmente de fatos.
E se isso acontecer? E se não for assim? E se eu morrer?
Em geral essas dúvidas ocorrem em momentos de fraqueza, ou depois de horas filosofando, geralmente quando eu estou sozinha, ou antes de dormir, ou fuçando históricos de MSN e vendo as brigas que aconteceram.
Talvez esse seja um dos defeitos que mais odeio em mim. Minha insegurança.
Às vezes eu nem estou em um dia ruim, mas aí vejo algo que me lembra algum fato ruim, e começo a pensar sobre aquilo, se vai se repetir, se deveria esquecer, se deveria tirar a história a limpo (pela enésima vez).
Então penso: "Pare com isso Alessandra, você é uma idiota por voltar nesse assunto de novo."
Aí coloco uma música animada, e logo (finjo) que esqueço dos meus pensamentos.
No meio da noite, acordo assustada. Olho no relógio. Geralmente são 4, 5 da manhã. E volto aos meus pensamentos. E volto a brigar comigo mesma. E volto a me distrair.
É uma sucessão de fatos que me cansa. Acordo e nem parece que dormi tanto tempo.
Às vezes odeio meus pensamentos.
E se isso acontecer? E se não for assim? E se eu morrer?
Em geral essas dúvidas ocorrem em momentos de fraqueza, ou depois de horas filosofando, geralmente quando eu estou sozinha, ou antes de dormir, ou fuçando históricos de MSN e vendo as brigas que aconteceram.
Talvez esse seja um dos defeitos que mais odeio em mim. Minha insegurança.
Às vezes eu nem estou em um dia ruim, mas aí vejo algo que me lembra algum fato ruim, e começo a pensar sobre aquilo, se vai se repetir, se deveria esquecer, se deveria tirar a história a limpo (pela enésima vez).
Então penso: "Pare com isso Alessandra, você é uma idiota por voltar nesse assunto de novo."
Aí coloco uma música animada, e logo (finjo) que esqueço dos meus pensamentos.
No meio da noite, acordo assustada. Olho no relógio. Geralmente são 4, 5 da manhã. E volto aos meus pensamentos. E volto a brigar comigo mesma. E volto a me distrair.
É uma sucessão de fatos que me cansa. Acordo e nem parece que dormi tanto tempo.
Às vezes odeio meus pensamentos.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Sobre o positivismo (com medida)
Devido ao excesso de realismo que vem dominando meu blog, eu vim trazer algumas energias boas. Talvez ser realista demais seja ruim de vez em quando. Mas eu não gosto de muito otimismo, porque se você acredita que tudo vai dar certo e não dá, você se decepciona mais do que se não tivesse esperando tanto por algo, ou até mesmo por alguém.
Victor Hugo descreve isso num de seus poemas mais famosos. Vocês devem conhecer, porque Frejat fez uma música com algumas partes desse poema (Amor pra recomeçar).
É um poema fácil de ler, espero que consigam se motivar.
"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga 'Isso é meu',
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar. "
Victor Hugo
Victor Hugo descreve isso num de seus poemas mais famosos. Vocês devem conhecer, porque Frejat fez uma música com algumas partes desse poema (Amor pra recomeçar).
É um poema fácil de ler, espero que consigam se motivar.
"Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconseqüentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exata para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra ,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga 'Isso é meu',
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afetos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
Eque se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar. "
Victor Hugo
sábado, 4 de setembro de 2010
Sobre a visão (de alguém) sobre o mundo
Ele tinha uma namorada. Ele a amava, talvez mais do que tudo. Ela sempre demonstrava sentir o mesmo, mas certo dia ela lhe disse que o traiu. Em pensamento. Ela pediu mil desculpas, falou que foi a primeira e única vez. Ele nunca mais a olhou do mesmo jeito.
Depois de algum tempo, cansado de mentiras (tanto dele, que demonstrava confiar nela, quanto dela que demonstrava ama-lo), eles terminaram.
Nos primeiros dias ele ficou muito bem. Tornou-se uma pessoa que nunca tinha sido. Mas depois de algumas semanas começou a sentir falta dela. Mas não voltaria, de jeito nenhum, seria um absurdo.
Então, certo dia ele a encontrou por acaso. Ela o viu, mas fingiu que não vira. Ele ficou olhando nos olhos dela. Ela passou reto, como se ele fosse um desconhecido.
Se deu conta então do momento que estava vivendo. Andou por muitas horas, esqueceu-se de tudo o que tinha a fazer. Perdeu o rumo. Passou por lugares desconhecidos. Olhava apenas para o chão. Raramente olhava para os lados, exceto quando ia atravessar a rua. Pensou. Pensou. Pensou. E pensou mais um pouquinho.
Estava anoitecendo e ficou frio. E ele continuou andando. Talvez o frio tenha o ajudado a perceber e interpretar os inúmeros pensamentos que estavam se fundindo em sua cabeça. Eram os amigos que desapareceram sem sequer avisar, os sermões de seu pai que chegavam sem motivo, as mulheres que ele sempre amou e que nunca olharam para sua cara, a mulher que sempre olhou para sua cara e que ele não amava mais. Ou amava.
Tudo isso misturado, formando um sentimento inédito, uma sensação de tristeza nunca antes sentida. Uma visão sendo formada. Complexa e ampla como nunca imaginou que poderia ter.
Eram as desmotivações, os acertos, as empolgações, o abismo que separava o antes e o depois, os erros, as desilusões, os momentos de extrema alegria, os de extrema tristeza, todos os fatos de uma vida reunidos em um único sentimento. Um único pensmento. Uma única pessoa.
Ele não suportaria. Viu uma ponte e se jogou.
Depois de algum tempo, cansado de mentiras (tanto dele, que demonstrava confiar nela, quanto dela que demonstrava ama-lo), eles terminaram.
Nos primeiros dias ele ficou muito bem. Tornou-se uma pessoa que nunca tinha sido. Mas depois de algumas semanas começou a sentir falta dela. Mas não voltaria, de jeito nenhum, seria um absurdo.
Então, certo dia ele a encontrou por acaso. Ela o viu, mas fingiu que não vira. Ele ficou olhando nos olhos dela. Ela passou reto, como se ele fosse um desconhecido.
Se deu conta então do momento que estava vivendo. Andou por muitas horas, esqueceu-se de tudo o que tinha a fazer. Perdeu o rumo. Passou por lugares desconhecidos. Olhava apenas para o chão. Raramente olhava para os lados, exceto quando ia atravessar a rua. Pensou. Pensou. Pensou. E pensou mais um pouquinho.
Estava anoitecendo e ficou frio. E ele continuou andando. Talvez o frio tenha o ajudado a perceber e interpretar os inúmeros pensamentos que estavam se fundindo em sua cabeça. Eram os amigos que desapareceram sem sequer avisar, os sermões de seu pai que chegavam sem motivo, as mulheres que ele sempre amou e que nunca olharam para sua cara, a mulher que sempre olhou para sua cara e que ele não amava mais. Ou amava.
Tudo isso misturado, formando um sentimento inédito, uma sensação de tristeza nunca antes sentida. Uma visão sendo formada. Complexa e ampla como nunca imaginou que poderia ter.
Eram as desmotivações, os acertos, as empolgações, o abismo que separava o antes e o depois, os erros, as desilusões, os momentos de extrema alegria, os de extrema tristeza, todos os fatos de uma vida reunidos em um único sentimento. Um único pensmento. Uma única pessoa.
Ele não suportaria. Viu uma ponte e se jogou.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Sobre as chances perdidas
Ela sempre acordava na mesma hora. Fazia sempre o mesmo caminho. Via sempre as mesmas pessoas.Ela conhecia as roupas que elas tinham, sabia até mesmo o nome. Sempre. Na mesma hora.
Ele apareceu naquele dia e começou a fazer parte de sua rotina. Tinha olhos azuis, quase sempre usava bermuda, a única exceção eram os dias realmente frios. Sempre de mochila. Às vezes tirava dela um livro e tentava ler. Nunca conseguia se concentrar. Talvez fosse o chacoalhar do ônibus ou as conversas. O ônibus era cheio àquela hora.
Ele descia um ponto antes dela. Certo dia, no congestionamento ela conseguiu observar seu caminho. Ele sempre entrava em uma casa. Ela queria muito saber o que tinha lá dentro. Mas nunca teve coragem de segui-lo.
Ela sempre o observava, desde então. Ele talvez nunca tenha sentido sua presença, mas ela sempre estava lá.
Naquele dia ela tomou coragem e sentou ao lado dele. Tinha passado horas pensando se devia fazer isso. Então tentou ser natural, mas não conteve a vontade de passar mais maquiagem do que de costume, usar outro perfume e uma roupa mais arrumadinha.
Almoçou mais cedo, não queria perder o abençoado ônibus. Quando chegou na fila, ele não estava lá. Ela pensou: não faz mal, eu vim antes mesmo. E o ônibus chegou. ela olhou discretamente para trás. Ele chegou. Acompanhado.
Talvez ela devesse ser mais corajosa.
Ele apareceu naquele dia e começou a fazer parte de sua rotina. Tinha olhos azuis, quase sempre usava bermuda, a única exceção eram os dias realmente frios. Sempre de mochila. Às vezes tirava dela um livro e tentava ler. Nunca conseguia se concentrar. Talvez fosse o chacoalhar do ônibus ou as conversas. O ônibus era cheio àquela hora.
Ele descia um ponto antes dela. Certo dia, no congestionamento ela conseguiu observar seu caminho. Ele sempre entrava em uma casa. Ela queria muito saber o que tinha lá dentro. Mas nunca teve coragem de segui-lo.
Ela sempre o observava, desde então. Ele talvez nunca tenha sentido sua presença, mas ela sempre estava lá.
Naquele dia ela tomou coragem e sentou ao lado dele. Tinha passado horas pensando se devia fazer isso. Então tentou ser natural, mas não conteve a vontade de passar mais maquiagem do que de costume, usar outro perfume e uma roupa mais arrumadinha.
Almoçou mais cedo, não queria perder o abençoado ônibus. Quando chegou na fila, ele não estava lá. Ela pensou: não faz mal, eu vim antes mesmo. E o ônibus chegou. ela olhou discretamente para trás. Ele chegou. Acompanhado.
Talvez ela devesse ser mais corajosa.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Sobre um mundo ideal
Eu sempre quis ter o poder de criar mundos paralelos. Talvez naqueles dias ruins, em que nada dá certo, eu poderia fugir para lá, e esquecer de tudo.
Seria uma nova Ale. Um outro mundo. Outras pessoas, outros amigos, outros lugares. Seriam novas rotinas, novas obrigações (porque talvez um mundo sem obrigações não fosse tão ideal assim), enfim, um refúgio.
Eu sei que isso nunca vai existir. Mas sei lá, não custa imaginar.
As pessoas não necessariamente seriam outras. Ou seriam. Ah, seria um lugar perfeito. Não teriam desastres, nem piadas ruins. Ninguém brigaria. Ninguém reclamaria do que tem. As pessoas só iriam pra lá quando realmente estivessem exaustas de tantas reclamações, insatisfações com tudo que elas fazem. Lá todos achariam que ela está certa. Todos elogiariam o que ela faz. Ninguém colocaria defeitos, as críticas seriam construtivas e faladas calmamente, civilizadamente.
Não existiria o bonito. Não existiria o feio. Existiria o ideal de cada um. Cada um teria sua beleza e ninguém correria atrás de um ideal, um padrão.
Mas se fosse assim, talvez não seriam humanos.
Seria uma nova Ale. Um outro mundo. Outras pessoas, outros amigos, outros lugares. Seriam novas rotinas, novas obrigações (porque talvez um mundo sem obrigações não fosse tão ideal assim), enfim, um refúgio.
Eu sei que isso nunca vai existir. Mas sei lá, não custa imaginar.
As pessoas não necessariamente seriam outras. Ou seriam. Ah, seria um lugar perfeito. Não teriam desastres, nem piadas ruins. Ninguém brigaria. Ninguém reclamaria do que tem. As pessoas só iriam pra lá quando realmente estivessem exaustas de tantas reclamações, insatisfações com tudo que elas fazem. Lá todos achariam que ela está certa. Todos elogiariam o que ela faz. Ninguém colocaria defeitos, as críticas seriam construtivas e faladas calmamente, civilizadamente.
Não existiria o bonito. Não existiria o feio. Existiria o ideal de cada um. Cada um teria sua beleza e ninguém correria atrás de um ideal, um padrão.
Mas se fosse assim, talvez não seriam humanos.
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