quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Sobre uma história que eu não achei um porquê

Ela teve um dia normal.
Acordou lá pelas 9 horas, comeu, tomou banho, lavou a louça, se arrumou, almoçou e saiu.
Pegou seu ônibus habitual, viu as mesmas pessoas, a mesma paisagem.
Desceu do ônibus em direção à escola.
Entrou na sala, viu as mesmas pessoas.
Seu corpo estava presente, mas seus pensamentos eram tão longínquos quanto a distância dela e de seus desejos.
Saiu da escola, comeu qualquer coisa, voltou pra casa fazendo o mesmo caminho da vinda.
Desceu do ônibus, com uma preguiça imensa de andar as duas quadras que separavam o terminal de sua casa.
Foi andando vagarosamente, como se não tivesse mais nada pra fazer.
Era uma noite agradável, com uma brisa gelada que balançavam os cabelos que não estavam presos no elástico cor-de-rosa, que foi o único que achou enquanto se arrumava.
O céu estava nublado, mas às vezes as nuvens se moviam e era possível ver uma ou duas estrelas.
Não tinha lua.
Não tinha emoção.
A noite tinha um gosto que combinava perfeitamente com ela: amarga.

domingo, 26 de setembro de 2010

Sobre um poeminha aleatório

Só para compensa a falta de criatividade que anda assombrando meus dias, vou postar um poeminha legal que esses dias tocou na Radio Caos.

O lado escuro da rua


Santinha era a menor morava longe
Atravessou de carona o país
Pinçou suas sobrancelhas de monge
Depilou suas pernas como uma velha infeliz
Ela disse: ei anjo, venha para o lado escuro da rua

Santa Cândida veio ao anel central de Curitiba
A rodoferroviária
Ela já era a preferida
Mas nunca perdeu sua estribeira
Mesmo quando lhe ofereceram uma carreira
Ela disse: querida, venha para o lado escuro da rua
E as mulheres negras dizem :de de de de de de


Quixote nunca saiu de cena
Todos tinham que pagar, pagar
Um empurrão aqui, outro na esquina
A capital do estado é o lugar onde dizem
Ei querida, venha para o lado escuro da rua


A doce fada pâmela caiu na vida
Em busca de pousada e um punhado de comida
Levantou, sacudiu a poeira
Dançou no metro
Agora todos tem prazer em conhece-la
Gogogo
Eles dizem: ei doce de coco venha para o lado escuro da rua


Jaqueline entrou em transe alucinado
Embarcou no voo de Leila Diniz por um dia
Acho que o desastre não podia ser evitado
Mas quem sabe um bom calmante ajudaria
Ela dizia: ei querida, venha para o lado escuro da rua


E as mulheres negras dizem
dedededededededede

Sobre a paciência

Quem me conhece sabe que eu sou de Lua.

Tem dias que estou super feliz e outros em que dou patada em todo mundo. Isso reflete na minha paciência. Se eu marcar algo com você, e esse dia coincidir com meus bad day's, não se atrase. Você corre o risco de levar uma patada quando chegar, ou não encontrar ninguém, porque eu odeio esperar.

Enfim, pra quem leu "O Pequeno Príncipe" sabe que como o planeta dele é pequeno, uma vez ele viu o sol se pôr 43 vezes.

"Mas é preciso esperar"

Eu sempre ouvi dizerem que a única solução para os piores problemas é o tempo. Mas eu nunca tive paciência pra esperar o tempo resolver minhas intrigas, meus problemas sentimentais. Fiquei tentando achar uma solução, e uma hora percebi que nada mais adiantava. E então vi que talvez seja verdade.

Talvez o tempo seja o melhor remédio, mas esse tempo só funciona se você souber esperá-lo e vivê-lo. Não adianta parar, sentar e esperar. Tenha consciência que a vida passa enquanto você espera. Esqueça que você está esperando.

Como disse Clarice:

"Foram então aprender que, não se estando distraído o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue[...]"
Tenham paciência. Esperem.


"É o tempo que dedicaste a tua rosa que a torna tão importante" (Antoine de Saint- Exupéry)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sobre os dois lados

Não é falsidade.

Conheço muitas pessoas que agem artificialmente, que criaram uma "máscara" para proteger seus defeitos (ou até mesmo qualidades) por acharem que eles demonstram vulnerabilidade, fraqueza, tudo o mais.

Talvez não seja por mal. Muita gente se aproveita desses “defeitos”, usando essas pessoas, atingindo pontos fracos, tirando proveito da bondade das pessoas.

Alguns agem como pessoas rudes de dia, e quando estão sozinhas, colocam suas pantufas, pegam uma panela de brigadeiro e comem em frente da televisão. Tudo secretamente.

Por que não expor suas atitudes? Por que não mostrar que você é uma pessoa sensível, que chora com filmes bobos de romance, que adora andar de meia, que ganha seu dia quando vê uma borboleta no seu jardim, que adoraria ter alguém que lhe desse flores?

Por que se esconder?

domingo, 19 de setembro de 2010

Sobre os sentimentos

Para ser mais específica, sobre o amor. Eu até ia escrever sobre minha trajetória romântica, mas isso é muito pessoal. Talvez um dia eu conte pra vocês.
Achei uns poemas legais sobre isso. Leiam :)

Ah, resolvi colocar o ano que nasceu e morreu cada poeta, pra vocês terem uma ideia de quando foi escrito.

"Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.

Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela.
Um dia nós percebemos que as mulheres têm instinto "caçador" e fazem qualquer homem sofrer.

Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável.

Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples.

Um dia percebemos que o comum não nos atrai.

Um dia saberemos que ser classificado como "bonzinho" não é bom.

Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você.

Um dia saberemos a importância da frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas..."

Um dia percebemos que somos muito importantes para alguém, mas não damos valor a isso.

Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais.

Enfim...

Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para beijarmos todas as bocas que nos atraem, para dizer o que tem de ser dito.

O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras.

Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação."

Mario Quintana (1906-1994)


"Inscrição na Areia

O meu amor não tem importância nenhuma.

Não tem o peso nem de uma rosa de espuma!

Desfolha-se por quem?

Para quem se perfuma?

O meu amor não tem importância nenhuma."


Cecília Meireles (1902- 1964)




"E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.

Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela."


Fernando Pessoa (1888-1935)


quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Sobre a importância dos amigos

Até os 4 anos eu não tinha amigos, exceto por uma vizinha da frente que se mudou 1 ano depois de eu desobrir a existência dela e ter ido algumas vezes à casa dela pra brincar (e comer, bons tempos). Então, eu entrei no Jardim I (que emoção again) e descobri que quando você se relaciona com pessoas parecidas (ou nesse caso, da mesma idade), a vida pode ser menos monótona. Fiz amiguinhos de caixa de areia. Era legal.

Com 6 anos, então, eu entrei no pré. Era outra escola, bem mais perto da minha casa. Eu fiquei com medo, mas não fui embora chorando. Fiz amiguinhos e até uma inimiga, que arrumava intrigas pra me prejudicar (ò.ó). Eram os amigos do pré, e a maioria saiu da escola, porque eu nunca mais os vi.

Passando para a primeira série, era uma emoção maior ainda, porque era uma sala normal (a sala do pré era isolada e tinha mesinhas pequenas e até um banheiro) e tinha muitas pessoas diferentes. Fiz mais amigos ainda, eu era até bem popular entre os coleguinhas da sala.

E assim foi até a quarta série. Eu comecei a participar do grupinho do fervo e talz, era bem maloqueira. Considero uma das melhores épocas escolares, eu tinha muitos amigos e acreditava neles.
Minha melhor amiga era a Fer, que me persegue até hoje na UTF.

Na quinta série a Fer se mudou e foi pra outro colégio, e eu passei a estudar de manhã, o que era considerado uma evolução incrível na minha escola. As pessoas da tarde eram rejeitadas, não me pergunte porquê.

Eu tinha alguns amigos, entre eles a Bruna. Uma vez a Gabi jogou terra na cara dela e ficou uma semana pedindo desculpas, e viramos amigas, apesar de nós nos conhecermos desde a primeira série. Ela não falava comigo porque me achava metida, e vice-versa. Então formou-se um grupinho, que se manteve até a sexta série. Então, por alguma razão que eu não lembro qual, o grupo se separou e formaram-se outros maiores.

E assim foi, até a oitava série, onde eu conhecia quase todo mundo da escola. Eu era popular, mas não me aproveitava disso. Meu grupo de amigos era grande, tinha desde pessoas que eu conheci no pré, até a My, por exemplo, qu eu conheci na sétima série.

Essa, talvez seja a melhor fase da minha vida. Depois da formatura eu percebi que nunca mais veria todas aquelas pessoas reunidas, e senti uma saudade estranha, porque sabia que não voltaria mais.

Entrando na UTF, o mundo se abriu de um jeito muito estranho. Saí de uma escola, na qual eu estudei 8 anos, onde eu sabia onde todo mundo morava, para uma Universidade situada no Centro, onde os professores não sabem meu nome, onde eu não sei onde meus colegas moram, onde eu não conheço nem metade das pessoas que lá estudam.

Isso foi uma grande mudança, foi muito difícil de me adaptar, mas creio que essa possa ser considerada (também) uma das melhores fases, não escolar, mas talvez da minha vida.

Essas mudanças me fizeram perceber que, mesmo com as brigas e intrigas que existem nos grupos de amigos, talvez eles sejam as pessoas mais importantes das nossas vidas. Eles nos apoiam, nos encorajam, nos fazem pensar duas vezes antes de fazer alguma coisa, enfim. Amigos são essenciais.

OBS: esse post é dedicado a todos os amigos, de todas as épocas, de todos os grupos, de todas as brigas, de todas as escolas, de todos os bairros, de todos os nomes, de todo o tempo que ficaram comigo. Obrigada.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sobre o possível destino

Eu nunca acreditei muito nessas coisas místicas tipo espíritos, destinos e tal. Sempre achei que fosse uma forma de amortecer os efeitos das coisas ruins que acontecem conosco, tipo, vai melhorar, um dia passa, etc.

Mas talvez tudo tenha um porquê.

Por exemplo, quando eu terminei o jardim II (que emoção), as professoras queriam me matricular direto na primeira série, diziam que era inútil eu fazer o pré. Mas minha mãe achou que seria difícil pra mim, porque eu tinha capacidade intelectual, mas de todo jeito ainda era uma menininha de 5 anos.

Se eu tivesse pulado o pré, talvez minha vida fosse totalmente diferente. Meus amigos seriam outros, talvez até as modas que eu seguia quando tinha 12 anos fossem diferentes. Talvez eu não estivesse na UTF. Talvez meus amigos fossem aquelas pessoas que hoje eu encontro na rua indo para o trabalho, ou até mesmo com filhos. Talvez meus conceitos de felicidade, amizade, família, tudo seria visto de uma maneira totalmente diferente.

Talvez meus amores platônicos fossem outros. Ou talvez eu não os teria.

Eu ouviria músicas diferentes, usaria outras roupas, falaria outras gírias... tudo seria diferente. Tudo porque eu seria uma criança de 6 anos numa classe cheia de crianças de 7 anos.

Eu gosto da minha vida. Às vezes penso nos inúmeros caminhos que tive a seguir e a vida que teria se os tivesse seguido. As proibições que meus pais me faziam, desde simples visitas às amigas até as festas mais badaladas do colégio. Uma festa a mais, uma visita a mais. Só isso poderia mudar a minha vida?

Tenho pensado que sim, mas chega em um ponto que eu não consigo me imaginar com outra vida. Seria muito estranho. Talvez não fosse eu.